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sábado, 3 de julho de 2010

Tecido Ósseo

Constituinte principal do esqueleto, funciona como suporte para as partes moles, e protege órgãos vitais (como os contidos na caixa craniana e torácica e no canal raquidiano), aloja e protege a medula óssea (formadora de células do sangue), proporciona apoio aos músculos esqueléticos, constitui um sistema de alavancas (amplia as forças geradas na contração muscular), funciona como depósito de cálcio e outros íons (controlando sua armazenagem e liberação).

É um tipo especializado de tecido conjuntivo, formado por células e material extracelular calcificado (matriz óssea), as células são: osteócitos (situados em cavidades ou lacunas no interior da matriz), osteoblastos (produtores da parte orgânica da matriz) e os osteoclastos (células gigantes, móveis e multinucleadas, que reabsorvem o tecido ósseo, participando dos processos de redemodelação dos ossos).

Não existe difusão de substancias através da matriz calcificada do osso, logo a nutrição dos osteócitos depende de canalículos que existem na matriz.

Todos os ossos são recobertos por tecido conjuntivo com células osteogenicas, o endósteo (nas superfícies internas) e o periósteo (na superfície externa)

Células do tecido ósseo:

· Osteócito:
Células encontradas no interior da matriz óssea, ocupam lacunas (existentes no sistema de havers), das quais partem canalículos, cada lacuna contém apenas um osteócito, dentro dos canalículos os prolongamentos dessas células estabelecem contato através de junções comunicantes, onde passam pequenas moléculas e íons de um osteócito para outro, a matriz extracelular (em pequena quantidade), e a matriz óssea constituem uma via de transporte de nutrientes e metebólitos entre os vasos sanguíneos e os osteócitos.
Características: células achatadas, com pequena quantidade de RER e pequeno aparelho de Golgi, e núcleo com cromatina condensada .Essas características indicam pequena atividade sintética, porém os osteócitos são essenciais para a manutenção da matriz óssea .

· Osteoblastos
Células que sintetizam a parte orgânica da matriz óssea (a matriz óssea não mineralizada é denominada osteóide), capazes de concentrar fosfato de cálcio, logo são essenciais no processo de mineralização da matriz, sua disposição nas superfícies ósseas lembra a de um epitélio simples.
Quando em intensa atividade sintética são cubóides e mostram características ultra-estruturais de células produtoras de proteínas, porém em estado pouco ativo são achatados.
Uma vez aprisionado pela matriz óssea recém-sintetizada, passam a ser chamados osteócitos, e a matriz se deposita ao redor do corpo das células e de seus prolongamentos, formandos assim as lacunas e os canalículos.

Aplicação médica: a Tetraciclina (um antibiótico fluorescente), possui afinidade sobre a matriz óssea recém-formada, logo é importante para avaliação da velocidade de formação óssea, seu uso é utilizado no estudo do crescimento ósseo e no diagnóstico de algumas doenças ósseas, entre as quais: osteomalia, onde a mineralização fica prejudicada, e a osteíte fibrosa cística, quando ocorre um aumento na atividade dos osteoclastos, resultando em remoção da matriz óssea .

· Osteoclastos:
Características morfológicas: células grandes, móveis, com muitos núcleos, ramificadas (ramificações irregulares), citoplasma granuloso, alguns apresentam vacúolos, fracamente bazófios quando jovens e acidófilos quando maduro .
Origem: se originam de precursores mononucleados provenientes da medula óssea que quando em contato com o tecido ósseo, unem-se para formar os osteoclastos multinucleados.
Localização: freqüentemente são encontrados nas áreas de reabsorção de tecido ósseo, situados em depressões da matriz, realizadas por eles próprios, e conhecida como lacunas de howship.
Sua superfície ativa é voltada para a matriz óssea, e apresenta prolongamentos circundados por uma zona citoplasmática denominada zona clara, que contém muitos filamentos de actina e é responsável para a adesão do osteoclasto com a matriz óssea, alem de criar um microambiente fechado, onde ocorre a reabsorção óssea, essa reabsorção ocorre da seguinte maneira: os osteoclastos, secretam para esse microambiente, ácido (facilita a dissolução dos minerais e fornece o pH ideal para a atuação das hidrolases), colagenases e outras hidrolases (presente nos lisossomos), que atuam localmente digerindo a matriz orgânica e dissolvendo os cristais de sais de cálcio, a essa digestão continua no citoplasma e os produtos são transferidos para os capilares sanguineos. Essa atividade é coordenada por citosinas (proteínas sinalizadoras, que atuam localmente), e por hormônios (calcitonina-tireóide-e pararatormônio-paratireóides).

Matriz óssea:
Apresenta duas partes:
1. Parte inorgânica: contribui com 50% do peso da matriz óssea, os íons mais encontrados são: o fosfato e o cálcio, que se encontram sob a forma de cristal, com estrutura semelhante a da hidroxiapatita, onde os íons da superfície são hidratados, compondo uma camada de água (capa de hidratação), que facilita a troca de íons entre o cristal e o líquido intersticial.
2. Parte orgânica: formada na sua maior parte por fibras colágenas (colágenos tipo I), possui pequena quantidade de proteoglicanas e glicoproteínas.
A associação das fibras de colágeno com a hidroxiapatita é responsável pela dureza e resistência do tecido ósseo .

Periósteo e endósteo:
Células osteogênicas, e tecido conjuntivo que recobrem as superfícies internas (endósteo) e externas (periósteo) dos ossos.
1. Periósteo: na camada mais superficial, há fibras de colágeno e fibroblastos, as fibras de Sharpey são feixes colágenas do periósteo que penetram no tecido ósseo e prendem o periósteo ao osso . Enquanto que, na camada mais profunda, o periósteo é mais célula e apresenta células osteoprogenitoras, similares, morfologicamente, aos fibroblastos, elas se multiplicam por mitose e se diferenciam em osteoblastos, portanto, desempenha importante papel no crescimento dos ossos e na reparação de fraturas.
2. Endósteo: camada de células osteogenias achatadas revestindo as cavidades do osso esponjoso, o canal medular, os canais de havers e os de volumam.
Funções: nutrição do tecido ósseo, fornecimento de novos osteoblastos, para o crescimento e recuperação do osso .

Tipos de tecido ósseo:
Há dois tipos de classificação:

1. A macroscópica, com duas divisões, que possuem a mesma estrutura histológica:
A) Osso compacto
B) Osso esponjoso: com cavidades que são ocupadas pela medula óssea .
Em ossos longos, as epífises (extremidades) são formadas por ossos esponjosos com uma delgada camada superficial compacta, a diáfise (parte cilíndrica) é quase totalmente compacta (chamado de osso cortical), com pequena quantidade de osso esponjoso na sua parte profunda, para delimitar o canal medular (ocupado pela medula óssea). Em ossos curtos, o centro é esponjoso e recoberto em toda sua periferia por uma camada compacta . Já nos ossos chatos (calvária) existem duas laminas de osso compacto (tábuas interna e externa) separadas por um osso esponjoso (díploe).
A medula óssea: no recém-nascido apresenta cor-vermelha, devido ao alto teor de hemácias, e é ativa a produção de células do sangue (medula óssea hematógena), com o decorrer dos anos, ela vai sendo infiltrada por tecido adiposo, com diminuição da atividade hematógena (medula óssea amarela).

2. Histológica, ambos os tipos apresentam mesmas células e mesmos constituintes de matriz.
A) Tecido ósseo primário:
Não é do tipo lamelar, é o primeiro tecido ósseo que aparece, sendo substituído gradativamente por tecido ósseo lamelar ou secundário .
Pouco freqüente no adulto, persistindo apenas próximo as suturas dos ossos do crânio, nos alvéolos dentários e em alguns pontos de inserção dos tendões.
Apresenta fibras colágenas dispostas em várias direções, sem organização definida, possui menor quantidade de minerais e maior proporção de osteócitos.
B) Tecido ósseo secundário (lamelar):
Encontrado no adulto, principal característica, presença de fibras colágenas em lamelas, que podem se posicionar paralelamente, ou em camadas concêntricas em torno de canais com vasos (Sistema de Havers ou ósteons, característicos de diáfise de ossos longos, porém podem existir em ossos compactos porém com diâmetros menores), as lacunas contendo osteócitos estão situadas entre essas lamelas, em cada lamela, as fibras de colágeno estão paralelas umas as outras, separando grupos de lamelas existe o acúmulo de uma substância cimentaste (matriz mineralizada, com pouco colágeno).
Na diáfise, a distribuição das fibras de colágeno, é a seguinte: sistema de Havers, circunferências externos e internos e os intermediários,
Sobre o Sistema de Havers, pode-se dizer que é um cilindro longo, bifurcado, paralelo à diáfise e formado por lamelas ósseas concêntricas (que se alternam entre claras e escuras devido ao arranjo das fibras de colágeno dessas lamelas), no centro existe um canal revestido de endósteo (canal de Havers), que possui vasos e nervos, seu diâmetro pode variar devido a remodelação constante do tecido ósseo. Cada canal de Havers pode comunicar-se entre si, com a cavidade medular e com a superfície externa do osso por meio de canais transversais oblíquos, os canais de Volkmann, que não apresentam lamelas ósseas concêntricas, eles atravessas as lamelas ósseas.
Os sistemas circunferências interno e externo são constituídos por lamelas ósseas paralelas entre si, formando duas faixas: uma situada na parte interna do osso, em volta do canal medular; e a outra na parte mais externa, próxima ao periósteo .
O sistema intermediário se encontra entre o sistema de Havers, e são grupos irregulares de lamelas, geralmente em forma triangular, que provém de restos de sistemas de Havers que foram destruídos durante o processo de crescimento do osso .
Histogênese: dois tipos de ossificação, sendo que em ambas o primeiro tecido ósseo formado é o do tipo primário, que pouco à pouco é substituído pelo secundário, sendo assim, durante o crescimento dos ossos podem-se ver, lado a lado, áreas de tecido primário, áreas de reabsorção e áreas de tecido secundário .

· Ossificação intramembranosa:
Ocorre no interior de membranas do tecido conjuntivo, é o processo formador dos ossos frontal, parietal e partes do occipital, do temporal, e dos maxilares inferior e superior; contribui também para o crescimento em espessura de ossos longos.
O local da membrana conjuntiva onde a ossificação começa, chama-se centro de ossificação primária, e tem início pela diferenciação de células mesenquimais, que se tornam arredondadas e formam um blastema, o qual por diferenciação originam grupos de osteoblastos, que sintetizam o osteóide (matriz óssea não calcificada), que logo se mineraliza, englobando alguns osteoblastos, que se transformam em osteócitos.
Como vários desses grupos (osteoblastos englobados, assim como suas ramificações) surgem quase que simultaneamente no centro de ossificação, há confluência das traves ósseas formadas, dando ao osso um aspecto esponjoso .Entre essas traves formam-se cavidades, que são penetradas por vasos sanguíneos e células mesenquimais, originando a medula óssea .
Esses centros de ossificação crescem radialmente, ocupando quase toda membrana conjuntiva preexistente, a parte da membrana que não sofre ossificação constitui o endósteo e o periósteo .
Nos ossos chatos do crânio, após o nascimento, verifica-se um predomínio acentuado da formação sobre a reabsorção do tecido ósseo mas superfícies interna e externa, assim formam-se duas tábuas de osso compacto, enquanto que o centro permanece esponjoso (díploe).

· Ossificação endocondral: é o responsável pela formação de ossos curtos e longos.
Ocorre sobre uma peça de cartilagem hialina, parecida a forma do osso que vai se formar, porém, com tamanho menor.
Como ocorre: primeiro, a cartilagem hialina sofre modificações, havendo a hipertrofia dos condrócitos, redução da matriz cartilaginosa a finos tabiques, sua mineralização e morte dos condrócitos por apoptose. Segundo, as cavidades previamente ocupadas pelos condrócitos são invadidas por capilares sanguíneos e células osteogenias vindas do conjuntivo adjacente, essas células diferenciam-se em osteoblastos, que depositarão matriz óssea sobre os tabiques de cartilagem calcificada, assim aparece o tecido ósseo, onde antes havia tecido cartilaginoso .
Formação de ossos longos: O molde cartilaginoso possui uma parte média estreitada e as extremidades dilatadas, correspondendo, respectivamente, a diáfise e as epífises do futuro osso .

· Centro primário de ossificação:
O primeiro tecido ósseo a aparecer no osso longo é formado pela ossificação intramembranosa do pericôndrio (camada de tecido conjuntivo que recobre a cartilagem), que recobre a parte média da diáfise, formando um cilindro (colar ósseo).
Enquanto se forma o colar ósseo, as células cartilaginosas envolvidas por ele se atrofiam (aumentam de tamanho) e morrem (por apoptose) e a matriz da cartilagem se mineraliza, vasos sanguíneos, partindo do periósteo (tecido conjuntivo, com células osteoprogênitoras) atravessam o colar ósseo e penetram na cartilagem calcificada, levando consigo as células osteoprogênitoras, que proliferam e se diferenciam em osteoblastos. Estes formam camadas contínuas na superfícies das paredes finas de matriz cartilaginosa calcificada, e iniciam a síntese da matriz óssea, que logo se mineraliza . Forma-se assim, o tecido ósseo primário, sobre os resto de cartilagem calcificada .
Seu crescimento, rápido em sentido longitudinal, ocupa toda a diáfise, esse alastramento do centro primário, é acompanhado pelo crescimento do colar ósseo que se formou a partir do pericôndrio e que cresce também na direção das epífises.
Desde o inicio da formação do centro primário, surgem osteoclastos e ocorre a absorção do tecido ósseo formado no centro da cartilagem, aparecendo assim, o canal medular, o qual também cresce longitudinalmente a medida que a ossificação progride. A medida que se forma o canal medular, células sanguíneas, originadas de células hematógenas multipotente (células tronco), trazidas pelo sangue dão origem a medula óssea . As células tronco hematógenas se fixam no microambiente do interior dos ossos, onde vão produzir todos os tipos de células do sangue

· Centro de ossificação secundário:
Formados em cada epífise (não simultaneamente) , são semelhantes ao centro primário da diáfise, mas seu crescimento é radial, ao invés de longitudinal. A porção central do osso formado nos centros secundários (nas epífises) também contem medula óssea .

Quando o tecido ósseo formado nos centros secundários ocupa a epífise, o tecido cartilaginoso fica reduzindo a dois locais:
1. Cartilagem articular, que persistirá por toda a vida e não contribui para a formação de tecido ósseo
2. Cartilagem de conjugação ou disco epifisário, composta por um disco cartilaginoso que não foi penetrado pelo osso em expansão e que será responsável, pelo crescimento longitudinal do osso, ela fica entre o tecido ósseo das epífises e o da diáfise. Seu desaparecimento por ossificação, aproximadamente aos 20 anos de idade, determina a parada do crescimento longitudinal dos ossos.

Na cartilagem de conjugação, distinguem-se cinco zonas:
1. Zona de repouso: onde existe cartilagem hialina sem qualquer alteração morfológica
2. Zona de cartilagem seriada ou de proliferação: onde os condrócitos se dividem rapidamente e formam fileiras ou colunas paralelas de células achatadas e empilhadas no sentido longitudinal do osso
3. Zona de cartilagem hipertrófica: apresenta condrócitos muito volumosos, com depósitos citoplasmáticos de glicogênio e lipídeos. A matriz fica reduzida a tabiques delgados, entre as células em apoptose.
4. Zona de cartilagem calcificada: ocorre a mineralização dos delgados tabiques de matriz cartilaginosa e termina a apoptose dos condrócitos.
5. Zona de ossificação: zona em que aparece tecidos ósseos, capilares sanguíneos e células ósteoprogenitoras originadas do periósteo invadem as cavidades deixadas pelos condrócitos mortos. As células osteoprogenitoras se diferenciam em osteoblastos, que formam uma camada contínua sobre os restos de matriz cartilaginosa calcificada, os osteoblastos depositam a matriz óssea .

A matriz óssea calcifica-se e aprisiona osteoblastos, que se transformam em osteócitos. Desse modo, formam-se as espículas ósseas, com uma parte central de cartilagem calcificada e uma parte superficial de tecido ósseo primário

Crescimento e remodelação dos ossos:
O crescimento ósseo consiste na formação de tecido ósseo novo, associada à reabsorção parcial do tecido já formado; desse modo, os ossos conseguem manter sua forma enquanto crescem.
Nos adultos existe remodelação dos ossos, um processo fisiológico, porém, nesse caso, não está relacionada com o crescimento e é muito mais lenta .
O tecido ósseo é capaz de remodelar sua estrutura interna em respostas a modificações nas forças a que está submetido .
Os ossos chatos crescem por formação de tecido ósseo pelo periósteo situado entre as suturas e na face externa do osso, enquanto ocorre reabsorção na face interna . O tecido ósseo responde ao crescimento do encéfalo, formando uma caixa craniana do tamanho adequado, havendo deficiência no crescimento do encéfalo, a caixa craniana será pequena, ao contrário, em crianças com hidrocefalia, onde o encéfalo é muito volumoso, a caixa craniana é também muito maior do que o normal.
Os ossos longos, nas epífise há o aumento de tamanho devido ao crescimento radial da cartilagem, acompanhado por ossificação endocondral; e na diáfise há o crescimento em extensão pela atividade dos discos epifisários e, em espessura, pela formação de tecido ósseo na superfície externa da diáfise, com reabsorção na superfície interna, essa reabsorção interna aumenta o diâmetro do canal medular.

Aplicação médica:
Exemplo da plasticidade do tecido ósseo: a posição dos dentes na arcada dentária pode ser modificada por pressões exercidas por aparelhos ortodônticos, ocorrem reabsorção óssea no lado em que a pressão atua e deposição no lado oposto, que está sujeito a uma tração .
Reparação das fraturas: nos locais de fratura óssea ocorre hemorragia, devido a lesão dos vasos sanguíneos, destruição de matriz e morte de células ósseas.
Para que a reparação se inicie, o coágulo sanguíneo e os restos celulares e da matriz devem ser removidos pelos macrófagos, o periósteo e o endósteo próximos a área fraturada respondem com uma intensa proliferação, formando um tecido muito rico em células osteoprogenitoras que constitui um colar em torno da fratura e penetra entre as extremidades ósseas rompidas. Nesse anel ou colar conjuntivo, surge tecido ósseo imaturo, tanto pela ossificação endocondral de pequenos pedaços de cartilagem que aí se formam, como também por ossificação intramembranosa . Esse processo evolui de modo a aparecer, após algum tempo, um calo ósseo, que envolve a extremidade dos ossos fraturados. O calo ósseo é constituído por tecido ósseo imaturo que une provisoriamente às extremidades do osso fraturado .
As trações e pressões exercidas sobre o osso durante a reparação da fratura, e após o retorno do paciente as suas atividades normais, causam a remodelação do calo ósseo e sua completa substituição por tecido ósseo lamelar. Se essas trações e pressões forem idênticas às exercidas sobre o osso antes da fratura, a estrutura do osso volta a ser a mesma que existia anteriormente, o tecido ósseo repara-se sem a formação de cicatriz.

Papel metabólico do tecido ósseo:
O esqueleto atua como uma reserva do íon cálcio, cuja a concentração no sangue (calcemia) deve ser mantida constante , para o funcionamento normal do organismo .
Há um intercambio, entre o cálcio do plasma sanguíneo e o dos ossos. O cálcio absorvido da alimentação e que faria aumentar a concentração sanguínea deste íon é depositada rapidamente no tecido ósseo, e, inversamente, o cálcio dos ossos é mobilizado quando diminui sua concentração no sangue. Existem dois mecanismos de mobilização do cálcio depositado nos ossos:
1. Transferência dos íons dos cristais de hidroxiapatita para o líquido intersticial, do qual o cálcio passa para o sangue, é um mecanismo favorecido pela grande superfície dos cristais de hidroxiapatita e tem lugar principalmente no osso esponjoso . As lamelas ósseas mais jovens e pouco calcificadas, são as que recebem e cedem cálcio com maior facilidade, essas lamelas são mais importantes na manutenção da calcemia do que as lamelas antigas, muito calcificadas e cujos papéis principais são de suporte e proteção .

2. Pela ação do hormônio da paratireóide, ou paratormônio, sobre o tecido ósseo, ocorre de forma mais lenta, e causa um aumento do número de osteoclastos e reabsorção da matriz óssea, com liberação de fosfato de cálcio aumento da calcemia . A concentração de (PO4)3- não aumenta no sangue, porque o próprio paratormônio acelera a excreção renal de íons de fosfato . O paratormônio atua sobre receptores localizados nos osteoblastos. Em resposta a esse sinal, os osteoblastos deixam de sintetizar colágeno e iniciam a secreção do fator estimulador dos osteoclastos. Um outro hormônio, a calcitonina, produzida pelas células parafoliculares da tireóide, inibe a reabsorção da matriz, e, portanto, a mobilização do cálcio . A calcitonina tem um efeito inibidor sobre os osteoclastos.

Aplicação médica:
A carência alimentar do cálcio causa descalcificação dos ossos, que se tornam mais transparentes ao raio X e predispostos a fraturas. A descalcificação óssea pode também ser devida a uma produção excessiva de paratormônio (hiperparatireoidismo), o que provoca intensa reabsorção óssea, aumento de cálcio e fosfato no sangue, e deposição anormal de sais de cálcio em vários órgãos, principalmente nos rins e na parede das artérias.
O oposto ocorre na osteopetrose, doença causada por defeito nas funções dos osteoclastos, com superprodução de tecido ósseo muito compactado e duro, causa o fechamento das cavidades que contém medula óssea formadora de células do sangue, produzindo anemia e deficiência em leucócitos (glóbulos brancos), o que reduz a resistência dos pacientes à infecções.
Efeitos de deficiências nutricionais: A deficiência de cálcio leva a uma calcificação incompleta da matriz orgânica produzida , pode ser devido à carência desse mineral nos alimentos ou à falta de pró-hormônio vitamina D, que é importante para a absorção de cálcio e fosfato pelo intestino delgado .
Na criança, a deficiência de cálcio causa o raquitismo, nesta doença a matriz óssea não se calcifica normalmente, de modo que as espículas ósseas formadas pelo disco epifisário se deformam, por não suportarem as pressões normais exercidas sobre elas pelo peso corporal e pela ação muscular, assim, os ossos não crescem normalmente e as extremidades dos ossos longos se deformam.
No adulto, a falta de cálcio leva a osteomalacia, que se caracteriza pela calcificação deficiente da matriz óssea neoformada e descalcificação parcial da matriz já calcificada, com a conseqüente fragilidade óssea, porém como no adulto não existem mais as cartilagens de conjugação, não ocorrem as deformações dos ossos longos nem o atraso do crescimento, característicos do raquitismo .
Na osteoporose, os ossos também se tornam menos resistentes, mas a causa não é a deficiência nutricional de cálcio nem de vitamina D. Na osteoporose a concentração de cálcio na matriz orgânica é normal, mas a quantidade de tecido ósseo é menor, apresentando o osso amplos amplos canais de reabsorção, essa condição pode aparecer em pacientes imobilizados, pessoas idosas e, principalmente, em mulheres após a menopausa, quando decorre um desequilíbrio na remodelação dos ossos, com predomínio da reabsorção sobre a neoformação de tecido ósseo .

Hormonios que atuam sobre os ossos:
· Hormônios paratireóides,
· Calcitonina (produzida pela tireóide),
· Hormônio do crescimento (produzida na parte anterior da hipófise), estimula o crescimento em geral, tendo efeito acentuado sobre a cartilagem epifisária, os efeitos desse hormônio não são diretos, ele estimula certos órgãos, principalmente, o fígado, a sintetizar polipeptídeos denominados somatomedinas, que tem efeito sobre o crescimento . A falta desse hormônio durante o crescimento produz o nanismo hipofisário, sua produção excessiva, ocorre em tumores, causa o gigantismo (na criança) e acromegalia (em adultos), no gigantismo há um desenvolvimento excessivo do comprimento dos ossos longos, já no adulto, como o excesso de hormônios do crescimento atua quando já não existem mais cartilagens de conjugação, os ossos não podem mais crescer em comprimento, mas crescem em espessura (crescimento perióstico), dando origem à acromegalia, condição em que os ossos, principalmente os longos, se tornam muito mais espessos.
· Hormonios sexuais: influem sobre o aparecimento e o desenvolvimento de centros de ossificação, a maturação precoce retarda o crescimento corporal, pois, a cartilagem epifisária é substituída rapidamente por tecido ósseo, nos casos desenvolvimento deficiente das gônadas ou de castração de animais em crescimento, as cartilagens epifisárias permanecem por mais tempo, de modo que o animal atinge tamanho acima do normal.
· Hormonio da tireóide: sua deficiência causa o cretinismo, caracterizado por retardo mental e nanismo, nesse caso ocorre a diminuição da produção de hormônio do crescimento pela hipófise, além disso o hormônio da tireóide potencia os efeitos do hormônio do crescimento sobre os tecidos
· Hormonio leptina, produzido pelo tecido adiposo, atua junto com o sistema nervoso central na regulação e remodelação do tecido ósseo .

Tumores dos ossos:
· Osteomas: osteoblastomas e osteoclastomas, benignos
· Osteossarcomas: malignos, se caracteriza pela presença de osteoblastos pelomórficos (morfologia irregular e variada) e que se dividem por mitose com muita freqüência, associados a osteóides por ele sintetizados, a maioria dos casos desse tipo de câncer ocorre em adolescentes ou adultos jovens, os locais mais freqüentemente atingidos são as extremidades inferior do fêmur e as extremidades superior da ´tíbia e do úmero .

Pode aparecer também tumores de células cartilaginosas:
· Condromas: benignos
· Condrossarcomas: malignos

Articulações:
A união dos ossos depende das articulações, que podem ser divididas, em:

· Diartroses: que permitem grandes movimentos dos ossos, encontradas unindo ossos longos, existe uma cápsula que liga as extremidades ósseas, delimitando uma cavidade fechada, a cavidade articularm que contem um liquido, o liquido sinovial (diálisado do plasma sanguineo com elevado teor de ácido hialurônico, sintetizado pelas camadas das células da camada sinovial), esse liquido é uma via transportadora de substancias, entre a cartilagem articular (avascular) e o sangue dos capilares da membrana sinovial, nutrientes e oxigênio passam do sangue para a cartilagem articular e gás carbônico difunde-se em sentido contrário .
As cápsulas podem ter estruturas diferentes, conforme a articulação considerada, sendo em geral constituídas por duas camadas, uma externa ( a fibrosa), formada por tecido conjuntivo denso, e um interna (a camada ou membrana sinovial), o revestimento da camada sinovial é constituído por dois tipos celulares, um com fibroblastos e o outro tem o aspecto e a atividade funcional semelhantes aos macrófagos.

· Sinartroses: não ocorrem movimentos ou apenas movimentos muito limitados, existem três tipos, de acordo com o tecido que a compõe:
1. Sinostoses: ossos são unidos por tecido ósseo, e elas são totalmente desprovidas de movimento, unem ossos chatos do crânio, nas pessoas de idade avançada; já em crianças e adultos essa união é feita por meio de tecido conjuntivo denso .
2. Sincondroses: existe movimentos limitados, sendo as peças ósseas unidas por cartilagem hialina, exemplo: articulação da primeira costela com o esterno .
3. Sindesmoses: são como sincondroses, com alguns movimentos, e nelas o tecido que une os ossos é o conjuntivo denso, exemplos: sinfise pubiana e articulação tibiofibular inferior.
A capacidade de resistência ao choque (resiliencia) da cartilagem é um eficiente amortecedor das pressões mecânicas intermitentes que são exercidas sobre a cartilagem articular, mecanismo similar ocorre nos discos intervertebrais, moléculas de proteoglicanas isoladas ou formando agregados constituem um feltro contendo grande número de moléculas de água, o que funciona como uma mola biomecânica, a aplicação de pressão força a saída de água da cartilagem para o líquido sinovial, a expulsão da água condiciona o aparecimento de outro mecanismo que contribui para a resiliencia da cartilagem, a repulsão eletrostática recíproca entre os agrupamentos carboxila e sulfato das glicosaminoglicanas, criando espaços que serão ocupados pelas moléculas de água, quando desaparece as pressões.
O movimento de água com nutrientes e gases dissolvidos, é desencadeado pelo uso da articulação, esse movimento de líquido é essencial para as trocas de gases entre a cartilagem e o liquido sinovial.

5 comentários:

  1. Muito bom o texto, meus mais sinceros parabéns!!

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  2. Dê uma olhada na formatação

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  3. Gostei muito do seu texto, valeu!!! Foi útil para minha pesquisa.
    Abraços!!!
    Indra Liah

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  4. muito bom o texto. parabens...

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  5. ótimo o texto muito mim ajudou. Obrigada

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